Espanha | Madrid

Madrid foi a minha primeira viagem turística apenas com amigos. Caminhei por las calles de Madrid no início do Verão de 2009 e guardo todos os dias que lá passei com um carinho especial, pois não sendo a minha primeira viagem, foi aquela que me despertou para o Mundo, para o turismo, para a aventura, para conhecer aquilo que nunca vi.

Os mercados, os museus, o Retiro, a própria arquitetura e a cultura espanhola... Madrid é uma cidade linda e que talvez por ter sido aquela que me despertou, continua a ser tão fascinante para mim como foi à 8 anos atrás. Gostava de visitar novamente, desta vez com outros olhos, outra maturidade, outra companhia.

Foto da minha autoria - Retiro, 2009

Parabéns a mim, parabéns a nós!

Evito falar dele muitas vezes aqui no blogue, na verdade são raras as vezes que o fiz, porque acho que há coisas que devem ficar só para nós e outras que podem ser partilhadas apenas com as pessoas  que nos são próximas. No entanto, para mim este blogue também é uma espécie de caderno de memórias, onde já partilhei o meu quotidiano, a vida académica, opiniões, viagens que fiz e livros que li, então, porque não deixar aqui um post de gratidão à pessoa que esteve sempre comigo nos últimos dois anos?

O dia 14 de agosto é uma data especial para mim. Primeiro porque completo 23 primaveras, mas também porque foi há exatamente 2 anos que ele passou a fazer parte da minha vida para além da amizade e, por todo este tempo só lhe posso agradecer. Por tudo o que aprendi com ele, por todas as gargalhadas, os abraços fortes, as brincadeiras, por todos os carinhos que recebo diariamente, pelo brilho nos olhos dele quando me chama princesa, pelas discussões, pelo apoio, pelas viagens, por tudo o que vivi ao seu lado durante estes anos.

Agradeço-lhe por ser o mais teimoso, rabugento e mau humorado, mas também por ser aquele me incentiva, que me acalma quando me apetece largar tudo e que nunca duvida de mim.

Sou da opinião que existe uma idade "certa" para cada pessoa visitar certos locais. E há um sitio que gostaria de visitar num futuro próximo: o campo de concentração de Auschwitz.

Livros | Queimada Viva


Souad nasceu mulher numa aldeia na Cisjordânia. Era um fardo para a família, num país onde as mulheres são fardos na família, onde o objetivo comum é casar, ser boa esposa, ter filhos homens, de preferência, ostentar a riqueza da família e ter uma boa reputação entre a vizinhança. Faz parte do quotidiano destas mulheres serem maltratadas e humilhadas, sem terem consciência da vida que levam, pois os seus direitos são-lhes completamente desconhecidos. Sendo impedidas de ter qualquer contacto com o mundo exterior, as barbaridades às quais estão sujeitas passam de geração em geração.

Numa frequentou uma escola, apenas os homens tinham esse direito, nem teve a infância que o seu irmão tivera, uma vez que desde criança que cuidava dos animais, participava nas atividades agrícolas e sofria constante violência vinda do pai. Nesta comunidade, as mulheres não tinham autorização para sair à rua, só se fossem acompanhadas por alguém mais velho e estavam proibidas de falar ou olhar diretamente para um homem. Tudo isto iria por em causa a honra da família e num país onde reina a "lei dos homens", a desonra por parte de uma mulher significaria a sua morte.

Souad é uma sobrevivente da cultura arcaica e opressora vivida na sua comunidade. Ainda jovem, apaixonou-se por um rapaz que vivia perto da sua casa e, após alguns encontros em segredo e com a promessa de casarem, Souad engravidou. Sendo o motivo da desonra da sua família, os pais encomendaram a sua morte ao seu cunhado, queimando-a viva. Felizmente sobreviveu graças à ajuda comunitária que a resgatou quase sem vida e a trouxe para a Europa para receber tratamento adequado.

Enquanto lia este livro, imaginei Souad sentada e escondida nas suas roupas largas. Iletrada, Souad conta esta história, a história da sua vida, em voz alta. E, para além de todos os sentimentos que ainda lhe estão à flor da pele, consegue narrar a sua infância e adolescência da forma mais crua que ela consegue. 

Queimada viva, tal como o último livro que falei aqui, não pode deixar de ser lido. Em pleno século XXI, o mundo ocidental não consegue acreditar que estas formas de vida ainda existam.

Cinema | Beauty and the Beast


Foi a primeira vez que vi um filme da "Bela e o Monstro" em toda a vida. A Bela não era a minha princesa favorita da Disney e a sua história com o Monstro, na minha cabeça, nunca precisou de imagens reais para que a conseguisse visualizar, talvez por isso nunca tivesse o interesse de ver qualquer filme já feito, mas desta vez, com tantas críticas positivas sobre o filme, estava curiosa para finalmente dedicar duas horas da minha vida a ver esta adaptação. Apesar disso, li a história em criança. Na verdade, naquela altura um livro prendia-me muito mais do que ver um filme numa televisão. Por isso, conheço a história e posso dizer que o filme pouco se distancia da história original.

Esta versão é bastante luxuosa, brilhante, com requinte... encantada como se pretendia ser, tanto a nível de efeitos especiais, como de cenários e guarda-roupa. Este ponto realmente fascinou-me até porque o filme aos meus olhos teve magia, a magia típica dos bons filmes da Disney que nos transportam para o "Era uma vez", para o longínquo local onde um príncipe encantado se apaixona por nós, onde acreditamos que um dia todos os nossos sonhos tornar-se-ão realidade.

Em relação a outras adaptações, este tem cenas inéditas que foram acrescentadas e que tornaram o filme mais rico, sem que se perdesse muito da história original, como o porquê da transformação do príncipe num monstro e de todos os seus criados terem sido também eles amaldiçoados, mas também se deu mais visibilidade ao passado das duas personagens principais.

Achei magnífico o aparecimento da primeira personagem gay do filme e também o facto de no elenco existirem personagens negros numa história primeiramente de brancos. É contrariar o que acontece um pouco hoje em Hollywood, onde cada vez há mais histórias de brancos e só de negros. A nossa sociedade não é assim, é uma diversidade de raças e isso foi devidamente representado.

Para mim, se um filme da Disney me faz sentir criança novamente já é um bom filme, merecedor de ser visto. E este realmente inspirou-me. A própria personagem de Emma Watson inspirou-me, como uma princesa lutadora, determinada e sonhadora. Fiquei encantada.