Cinema | The Shape of Water


Eliza Esposito é muda e trabalha como empregada de limpeza numa base secreta da NASA, que inclui um laboratório comandado pelo doutor Hoffstetler. Durante os anos 60, uma estranha criatura capturada algures na América do Sul é levada para lá para ser usada como cobaia na corrida espacial pelos norte-americanos.

Pouco a pouco, Eliza afeiçoa-se à criatura e o contrário também acontece. No entanto, o homem-anfíbio começa a correr perigo quando o sádico Strickland entra em cena, e Eliza, arrastando o seu amigo e vizinho Giles, um pintor fracassado, e a sua colega de trabalho Zelda, elabora um plano para o resgatar.

Toda a história é um conto de fadas ousado, sujo, violento e com diversas cenas de nudez e até mesmo de sexo interespécie. Nada de politicamente correto, portanto. Mas ao fim ao cabo, "A Forma da Água" não deixa de ser uma história romântica.

Na minha opinião, e pelo que tenho visto é uma opinião diferente da maioria das pessoas, o filme não é grande coisa, mas isto é só o que eu acho, eu que não percebo nada disto. Exceto a "Bela e o Monstro", provavelmente por ser um filme da Disney e uma história que fez parte da minha infância, estes envolvimentos de humanos com outras criaturas não humanas não me atraem, esta coisa do universo mágico, não é algo que me faça comprar um bilhete de cinema.

Música | Raquel Tavares ao vivo

No passado sábado, tive a oportunidade de ouvir a Raquel Tavares pela primeira vez, ao vivo, no lindíssimo Teatro Garcia de Resende em Évora, num concerto que faz parte do Festival "Às vezes o amor" do Montepio, dedicado claramente ao Dia dos Namorados.

Com uma postura forte em palco e detentora de uma voz poderosíssima, encantou cada ouvinte, cada canto da sala. A Raquel tem uma energia absurda capaz de aquecer todo o teatro enquanto lá fora os termómetros marcavam os 3ºC, mas também tem uma característica que, na minha opinião, atualmente faz falta a muitos artistas, bons artistas - a humildade. "Vê-se" que o que canta lhe sai do coração, da alma, que é sentido, é genuíno, que o verdadeiro e tradicional fado lhe corre nas veias. Mas também se safa muito bem no cante alentejano, com que abriu e encerrou o espetáculo.


Cinema | Dunkirk


Quando vos falei do filme "Darkest Hour", sobre o tempo de Winston Churchill como Primeiro-Ministro britânico no início dos anos 40, também vos disse que para quem já viu "Dunkirk" tornavam-se dois filmes difíceis de separar, uma vez que ambos os argumentos têm acontecimentos históricos em comum: a crise de Dunkirk, e que deu o nome ao filme, e a Operação Dínamo.

Então resumindo: em maio de 1940, início da Segunda Guerra Mundial, soldados aliados, maioritariamente franceses e britânicos, ficaram cercados pelas forças alemãs nas praias de Dunquerque, no norte de França. Foi então que Winston Churchill pôs em prática a Operação Dínamo, cujo objetivo principal era resgatar 45 mil homens da Força Expedicionária Britânica, no entanto, em apenas uma semana foram evacuados cerca de 400 mil homens de várias nacionalidades, graças aos cidadãos civis do Reino Unido que utilizaram as suas embarcações para atravessar o Canal da Mancha e transportar os militares até Dover.

Durante o filme pouco ficamos a conhecer a vida por personagens e acho que isso é que faz "Dunkirk" diferente de todos os outros filmes que já foram feitos sobre este tema. Não destaca uma personagem especifica, nem se sabe quem foram ou quem serão no futuro, apenas se foca no acontecimento em si. E, para isso vemos a mesma história em três perspetivas diferentes: em terra, uma semana; no mar, um dia; e no ar, uma hora. Em terra, temos o Comandante Bolton a controlar os navios que chegavam a fim de evacuar os soldados, mas também a espera dos militares que ficavam para trás; no mar, o barco do Mr. Dawson, um dos civis que foi recrutado para a Operação Dínamo acompanhado pelo seu filho Peter e o amigo George; no ar, os pilotos Farrier e Collins, que fazem frente aos aviões alemães.

Apesar de na minha opinião ser um filme que tinha muita coisa para dar certo, não gostei assim tanto. Ficou assim para o morno. Não fiquei com a sensação de estar dentro da guerra, como acho que era um dos objetivos, nem senti na pele o desespero por sobreviver e voltar a casa vivo.


Cinema | Darkest Hour



"A Hora Mais Negra" conta-nos a história de Winston Churchill, personagem interpretada por Gary Oldman, que acaba de ser nomeado de forma urgente e contra a vontade de muitos colegas do próprio partido, Primeiro-Ministro do Reino Unido numa fase negra da Segunda Guerra Mundial. Recuamos então ao ano de 1940, com a Alemanha sob o comando de Hitler a ganhar território aos países aliados. Poucos dias após a repentina eleição, e uma vez que toda a responsabilidade da defesa do país recai sobre si, depara-se com uma das maiores decisões que teve que tomar na sua vida: declarar guerra aos Nazis não só em nome do Reino Unido como também pela liberdade e independência dos países europeus, com pequeníssimas hipóteses de sair vencedor, ou aceitar negociar um tratado de paz com a Alemanha, tornando o Reino Unido num país submisso.

Pessoalmente, adoro filmes como este que não nos permitem esquecer atrocidades como as que foram vividas durante a Segunda Grande Guerra, que para nós que já nascemos muitos anos depois desta época têm poder pedagógico, para não nos esquecermos que a junção do poder e de loucos extremistas não dá bom resultado. No entanto, e falando particularmente deste filme, para mim e contrariando o que muitos críticos dizem, acabou por não ser uma simples biografia de Churchill, mas sim uma biografia de um dos maiores políticos do século passado, com todas as suas excentricidades, carregada de drama e humor. E se a estes fatores se junta a brilhante performance de Gary Oldman então é um bom filme.

Também nomeado para o Oscar de Melhor Filme está "Dunkirk", um filme que acaba por se tornar difícil de separar de "Darkest Hour", tendo em conta que ambos os argumentos vão terminar no mesmo sítio: a crise de Dunkirk, com o salvamento de centenas de milhares de militares britânicos. Quanto a este, falo-vos depois.

Cinema | Três Cartazes à Beira da Estrada


Esta semana vi o filme que tanta gente fala e que está nomeado para a categoria de Melhor Filme dos  The Oscars 2018, "Três Cartazes à Beira da Estrada".

Mildred Hayes, personagem interpretada por Frances McDormand, tem dois filhos adolescentes: Robbie e Angela. Ou tinha, porque a sua filha Angela morreu à sete meses, vitima de violação. Passado todo esse tempo ninguém sabe de nada, nem mesmo a polícia de Ebbing, no estado norte-americano do Missouri, a quem o caso está entregue. Inconformada com inércia da polícia, a falta de novidades e o desespero, levam Mildred a alugar três cartazes publicitários à entrada da cidade onde vive, numa estrada onde pouca gente passa, onde se podia ler: "Raped while dying", "and still no arrests?", "how come, chief Willoughby?".

Mildred é um furacão. Uma mulher capaz de levar ao limite quem quer que seja, capaz das coisas mais extremas independentemente da pessoa que tem que enfrentar e, com atitudes que levarão à cidade violência atrás de violência, para que a justiça seja feita, seja de que maneira for.

O filme é, nas palavras dos entendidos, uma comédia negra, que passa ao lado da comédia politicamente correta, digamos. Bastante direto na abordagem ao tema, sem perseguições a um vilão, nem reviravoltas inesperadas e, parece-me focado na construção de três personagens centrais: Mildred, a mãe de Angela; o Xerife Willoughby, uma personagem que oscila entre o caso que tem por resolver e o cancro do pâncreas; e Dixon, um polícia próximo do Xerife, desligado de emoções e sentimentos de quem o rodeia, exceto a sua mãe com quem ainda vive.

Acima de tudo, acho que "Três Cartazes à Beira da Estrada" é uma crítica à América rural, aquela que normalmente não aparece nos filmes, a América das pequenas cidades, onde todos se conhecem, dos Xerifes com ar duro mas que acabam por ser os polícias mais acessíveis e simpáticos, até aos polícias racistas.