Cinema | Beauty and the Beast


Foi a primeira vez que vi um filme da "Bela e o Monstro" em toda a vida. A Bela não era a minha princesa favorita da Disney e a sua história com o Monstro, na minha cabeça, nunca precisou de imagens reais para que a conseguisse visualizar, talvez por isso nunca tivesse o interesse de ver qualquer filme já feito, mas desta vez, com tantas críticas positivas sobre o filme, estava curiosa para finalmente dedicar duas horas da minha vida a ver esta adaptação. Apesar disso, li a história em criança. Na verdade, naquela altura um livro prendia-me muito mais do que ver um filme numa televisão. Por isso, conheço a história e posso dizer que o filme pouco se distancia da história original.

Esta versão é bastante luxuosa, brilhante, com requinte... encantada como se pretendia ser, tanto a nível de efeitos especiais, como de cenários e guarda-roupa. Este ponto realmente fascinou-me até porque o filme aos meus olhos teve magia, a magia típica dos bons filmes da Disney que nos transportam para o "Era uma vez", para o longínquo local onde um príncipe encantado se apaixona por nós, onde acreditamos que um dia todos os nossos sonhos tornar-se-ão realidade.

Em relação a outras adaptações, este tem cenas inéditas que foram acrescentadas e que tornaram o filme mais rico, sem que se perdesse muito da história original, como o porquê da transformação do príncipe num monstro e de todos os seus criados terem sido também eles amaldiçoados, mas também se deu mais visibilidade ao passado das duas personagens principais.

Achei magnífico o aparecimento da primeira personagem gay do filme e também o facto de no elenco existirem personagens negros numa história primeiramente de brancos. É contrariar o que acontece um pouco hoje em Hollywood, onde cada vez há mais histórias de brancos e só de negros. A nossa sociedade não é assim, é uma diversidade de raças e isso foi devidamente representado.

Para mim, se um filme da Disney me faz sentir criança novamente já é um bom filme, merecedor de ser visto. E este realmente inspirou-me. A própria personagem de Emma Watson inspirou-me, como uma princesa lutadora, determinada e sonhadora. Fiquei encantada.

Livros | Porque Escolhi Viver

Yeonmi Park tem a minha idade, mais ou menos, e com 23 anos já tem uma história de vida tão dura. Nasceu e viveu na Coreia do Norte durante a sua infância e relata como é viver num dos países mais ditatoriais e pobres do mundo, pensando ser o melhor lugar do planeta, e tudo por o que teve que passar para fugir e ter uma vida digna.


Hoje em dia, com todo o acesso a informação que temos, é sabido que a Coreia do Norte está longe, muito longe, de ser o país perfeito que o seu ditador pinta. E mesmo com as notícias que temos ao nosso dispor, quer seja sobre o armamento nuclear ou sobre os campos de trabalho forçado usados como campos de punição ou "reeducação", este livro traz uma visão mais intrínseca do que é a vida daquele povo. Deparamo-nos com uma realidade atual, e foi isso que me chocou porque estamos em pleno século XXI. Ninguém deveria estar a passar por situações semelhantes àquelas que aconteceram durante a Segunda Guerra Mundial. Ninguém. Especialmente nos dias de hoje.

Apenas uns meses separam o meu nascimento do de Yeonmi, e é impressionante como temos vivências tão diferentes. Nós ocidentais nascemos e crescemos com tudo, a verdade é esta. Temos água, luz, comida, acesso fácil às tecnologias, já Yeonmi teve uma infância bem mais rudimentar, como se se tivesse passado nos séculos passados, onde a fome estava presente a cada dia e era habitual não ter sequer eletricidade em casa.

Enquanto eu devorava uma taça de Chocapic e colada à televisão via os desenhos animados, Yeonmi e a sua irmã subiam montanhas e comiam insetos, porque não tinham dinheiro nem para uma taça de arroz, enquanto eu via vezes sem conta o Titanic e imaginava que um dia seria eu a abrir os braços num enorme barco enquanto navegava pelos mares, Yeonmi assistia ao mesmo filme em segredo, de cortinas fechadas, pois o seu governo não permitia esse tipo de filmes. Enquanto eu me divertia a subir às árvores, a jogar ao berlinde ou à apanhada sem me preocupar com mais nada, Yeonmi era obrigada a crescer depressa demais e a tornar-se numa mulher responsável pelo seu futuro.


É um livro difícil de ler, não pela linguagem usada, essa é simples, mas pelos relatos que contém, e imagino que tivesse sido ainda mais duro de escrever. Mas se hoje me perguntassem que livro vos recomendaria sem dúvida seria este. É importante termos noção do mundo em que vivemos e não só da nossa realidade. Uma coisa que aprendi é que apesar de tudo o que acontece no nosso país e até mesmo na Europa, nós somos livres porque tivemos sorte de não nascer num país ditatorial como a Coreia do Norte. Mais importante ainda é que apareçam estas vozes, como a de Yeonmi, que pelo menos já pode falar. Há muitas que não têm a sorte de poder opinar.

Guns N' Roses | Passeio Marítimo de Algés

A última vez que os Guns n' Roses estiveram em Portugal para um concerto no Estádio de Alvalade, foi há 25 anos, em 1992, ainda eu não tinha nascido, aliás, nem previsão disso havia. Portanto, passei a minha vida inteira à espera do seu regresso, à espera da possibilidade que parecia remota de ver pela primeira vez ao vivo uns dos melhores músicos, das melhores bandas, da história do rock.

Pouco depois das 21 horas do dia 2 de Junho, o recinto do Passeio Marítimo de Algés já contava com quase 60 mil pessoas impacientes, até que finalmente começaram a ouvir-se os primeiros tiros de pistola e logo depois o tema Looney Tunes, que se ouvia nos desenhos animados do Bugs Bunny. Toda a gente sabia o que vinha aí.

A começar com "It's So Easy" e terminando em "Paradise City", passando por temas como "Welcome To The Jungle", "Civil War", "Sweet Child O'Mine", "November Rain" e "Patience", foram praticamente 3 horas de concerto sem pausas, um autêntico desfile dos melhores temas da mítica banda. Afinal, a longa separação parecia não ter afetado a química geral em cima do palco, digo geral, pois entre o Axl e o Slash a coisa já não é como era. A voz do Axl ainda não lhe falha e ainda percorre o palco como antigamente, o Slash com a sua cartola não parou durante um segundo e o Duff não lhes ficou atrás. 

Após a mostra de dotes do Slash em conseguir solar com a guitarra atrás das costas, o concerto terminou com fogo de artifício e confetti. Duvido que houvesse alguém que tenha saído desiludido. Na minha opinião, foram os 69 euros mais bem gastos em concertos e, sem dúvida, foi um dos melhores que assisti até agora.


Marley & eu

Não vos venho fazer comentários sobre o já tão conhecido filme "Marley & eu", mas sim contar-vos uma história triste mas com um final feliz, sobre um cãozinho também ele chamado Marley.

Tive conhecimento da existência de um jovem cão, com apenas um ano, Labrador, enquanto passava tempo no Facebook. O dono do animal tinha-o comprado ainda era um bebé para oferecer às filhas também elas pequenas, mas deve perceber tanto de cães como eu de porquinhos-da-Índia que não parece saber que esta raça cresce imenso. E foi esse o problema, agora com um ano o cão já era grande demais e, pelos vistos já não servia.

Percebi então que o animal estava para adoção, não muito divulgada, uma vez que o dono não o queria entregar a um canil, até porque o cão foi comprado e era puro, e ao pedir "ajuda" ao canil da zona para lhe arranjar um novo dono, disse que se tal não acontecesse o cão poderia ter outro fim, se é que entendem o que quero dizer. É lamentável uma vida ser assim posta nestes termos. Sei o que me custou ter que acabar com o sofrimento do Simba há tão pouco tempo, e agora este animal aparecia e só porque era grande demais... Para ser sincera não pensei duas vezes, liguei à responsável do canil para que entrasse em contacto com o dono e dissesse que eu ficava com ele. Como poderia não ficar?

Fui buscá-lo na sexta-feira depois de alguns dias de espera até que chegassem novidades. Lá vinha ele todo sujo, cheio de carraças, visivelmente deixado ao abandono, olhos tristes mas com um sorriso tão bonito. Sem que lhe dissesse nada saltou-me para o colo e implorou por mimos. Foi aí que me apaixonei pelo cão sem nome. Marley. Marley pareceu-me bem.

Hoje, apenas três dias depois do nosso encontro, vejo enormes mudanças nele. O medo de estar em casa era e é enorme, mas já não tem que ser transportado ao colo se o quiser levar à rua ou trazê-lo da rua para a sua casota, com dificuldade mas vá vai sozinho. Também já corre, ladra, já brinca com outros animais sem se esconder... É tão meigo, tão doce.

Marley, meu Marley!

Cinema | Human

Um documentário do fotógrafo, realizador e ecologista francês Yann Arthus-Bertrand que só me arrependo de não ter visto, e conhecido a sua existência, há mais tempo. Human relata 2000 histórias de pessoas, oriundas de 60 países diferentes, que falam sobre amor, morte, guerra, desigualdade, família e felicidade, explorando os diferentes lados da humanidade, as diferentes realidades que existem para cada um de nós.

É interessante ver a diversidade de opiniões que as pessoas têm quando são questionadas sobre os mesmos temas, tendo como base das suas respostas as suas vivências, educação, o próprio meio cultural onde nasceram e cresceram. Tem uma beleza muito particular o facto de duas pessoas, com percursos de vida completamente diferentes, têm uma opinião sobre um determinado conceito completamente diferente. Como a menina europeia que encontra a felicidade a viajar, a conhecer o que nunca viu, e o homem indiano só queria um pouco de terra, água e um teto para dormir. Ou até mesmo pessoas com obstáculos semelhantes numa parte da sua vida reagem de forma tão diferente para os ultrapassarem.

Human torna-nos, efetivamente, mais humanos. Faz-nos perceber que nem todos têm a mesma opinião que nós, que nem todos têm vidas parecidas com a nossa. Têm objetivos distintos, problemas diários que nem nada se assemelham aos nossos. É uma espécie de abre olhos para a nossa definição do mundo.

É realmente um trabalho muito, muito bom, que pode ser visto, na íntegra, no Youtube. Deixo-vos os vídeos abaixo e espero que gostem tanto quanto eu gostei.

Se ativarem as legendas dos vídeos, têm acesso aos nomes dos entrevistados e países.