Até já meu old boy

No dia 20 de Maio de 2010, lembro-me de chegar a casa depois de um dia de escola e ouvir um latido vindo de uma pequena bola de pêlo, olhos muito grandes e escuros. Um novo membro tinha entrado na família. Não tive a melhor reação, tinha perdido a cadelinha, com quem tinha crescido, para uma doença terrível e violenta, não queria outro animal, não queria que o lugar que até então percentera à minha linda Husky fosse ocupado. E então, durante as primeiras horas, ignorei-o.

Na primeira noite, deitei-o na caminha que fiz para ele com as mantinhas mais fofas e quentes que tinha e fui-me deitar, mas a bola de pêlo teimava em não deixar dormir ninguém. Refilava por estar sozinho e eu, secretamente desejosa por o acariciar, por pô-lo ao colo, fui busca-lo sem ninguém saber e levei-o comigo. Passei horas a olhar para ele. E foi assim durante as primeiras semanas... deitado ao lado da minha cama dava pequenos roncos e, quando o despertador tocava e eu não me levantava logo começava a lamber-me os dedos.

E quando escolhemos o teu nome? Eu teimava por Jimmy, o resto da família por Simba. Diziam que parecia um leaozinho com todo aquele pêlo, mas na minha cabeça ele precisava de um nome especial. E Simba, de certa forma, acabou por me parecer especial para ele.

Era muito brincalhão, adorava correr e passar horas na rua a passear. Reclamava por qualquer pedaço de comida que nos visse a comer, levava qualquer brinquedo até nós para que brincássemos com ele. Refilava muito e era um destruidor. Sempre achei imensa piada à forma como se deitava, parecia um frango.

Fomos grandes amigos. Esteve comigo em muitos momentos. Deitava-se aos pés da cama nas noites quentes de verão, o que me fazia ter ainda mais calor, e sentava-se entre as minhas pernas nas noites frias de inverno, enquanto víamos televisão. Andava sempre atrás de mim enquanto cozinhava à espera que caísse alguma coisa para ele comer. Saltava e lavrava tão alto sempre que chegava a casa depois de grandes ausências, enquanto estudava em Faro. Vimo-nos pelo Skype para matar as saudades. Roeu os sapatos do meu Traje e rasgou as únicas meias que tinha em casa no dia da Benção das Pastas. Pintou uma fita com as suas patinhas.

Eras a alegria da casa até ao dia em que cheguei do trabalho e vi-o sossegado no seu canto, não correu até mim como era normal, não me sujou com os seus saltos. Também o notei mais magro e com falta de pêlo no nariz. Não era nada que quem o via todos os dias notasse, mas com o passar dos dias a situação agravou-se. O meu bichinho estava doente e eu não queria acreditar que iria passar por tudo novamente.

Ontem, tal como todos os dias, joguei a mala para o lado e fui ao seu encontro. Vazio. A poucos meses de completar 7 anos o Simba acabou por ter que ir novamente para o veterinário pois o seu estado tinha-se agravado nas últimas horas. Custou muito ouvir. O desfecho foi o que menos esperava.

Tenho tantas saudades, Simba.

3 comentários:

  1. Sinto muito :( sei o que é perder um animal de estimação. Era tão lindo.

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  2. Ohh coitadinho. Confesso que o teu texto me emocionou bastante. É lindo!! Incrivel como os animais fazem tanta falta na nossa vida! Ao ler isto só pensava na minha cadela que ainda é mais velha,nem quero imaginar!!

    Muita força querida!!


    Black Rainbow Instagram

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  3. Sinto muito.
    Sei bem infelizmente a dor da perda dos nossos melhores amigos.

    Muita força.


    Beijinhos, Sophie
    www.pirilamposemarte.com

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